Open Finance é seguro? Riscos reais, proteções e como revogar o acesso
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Atualizado em 20 de outubro de 2026.
O Open Finance permite que você autorize uma instituição a ver dados que estão em outra, como o extrato da conta ou a fatura do cartão. É natural desconfiar: afinal, trata-se de abrir informações financeiras para terceiros. Neste guia, você entende quais proteções existem, quais são os riscos reais (e de onde eles vêm na prática), como reconhecer um pedido legítimo e como revogar um compartilhamento em poucos passos.
Como o Open Finance protege seus dados
O Open Finance não é um aplicativo nem um cadastro central. É um conjunto de regras, padrões técnicos e mecanismos de governança que permite a troca de dados e serviços entre instituições autorizadas. Se você quiser entender o funcionamento completo, o guia o que é Open Finance e como funciona explica a jornada passo a passo. Aqui, o foco são as camadas de proteção.
1. Regulação do Banco Central e do CMN
As regras do Open Finance estão na Resolução Conjunta nº 1, de 2020, editada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional e alterada desde então. Elas definem quem pode participar, como o consentimento deve ser pedido, que informações o cliente deve receber e como funciona a revogação. As instituições participantes são autorizadas a funcionar pelo Banco Central, o mesmo órgão responsável pelo Pix.
2. Consentimento expresso, com finalidade e prazo
Nenhum dado é compartilhado sem a sua autorização. A regulamentação exige que o consentimento seja pedido em linguagem clara, para finalidades determinadas, com prazo de validade compatível com essas finalidades, indicando a instituição de onde virão os dados e quais dados serão compartilhados.
A regra também proíbe três atalhos comuns em outros contextos: o consentimento não pode ser obtido por contrato de adesão, nem por formulário com a opção de aceite já marcada, nem de forma presumida, sem uma ação ativa sua.
Um ponto que mudou ao longo do tempo é o prazo. Originalmente, o consentimento para compartilhamento de dados tinha validade máxima de 12 meses. Com a Resolução Conjunta nº 7, de 2023, esse teto foi retirado, e hoje o prazo precisa ser compatível com a finalidade informada. Por isso, vale sempre conferir na tela de confirmação o prazo que está sendo pedido.
3. Autenticação no seu próprio banco
A jornada começa no aplicativo da instituição que vai receber os dados, mas a confirmação acontece no ambiente da instituição que guarda essas informações. Você é redirecionado ao app ou ao internet banking do seu banco, faz login como de costume e confirma o compartilhamento lá. Depois, volta ao aplicativo de origem.
Na prática, isso significa que a instituição receptora não recebe a sua senha bancária. Esse é um dos pontos mais importantes de segurança e também a forma mais fácil de identificar um serviço que não usa o Open Finance: se um aplicativo pede o seu usuário e a senha do banco digitados dentro dele, ele não está seguindo essa jornada.
4. Comunicação padronizada entre instituições
A troca de dados acontece por interfaces de programação (APIs) padronizadas, com regras de segurança e certificados que identificam cada participante. Não há envio de planilhas, prints ou arquivos por e-mail.
5. Transparência sobre os compartilhamentos ativos
As instituições participantes devem mostrar ao cliente os consentimentos válidos em que estão envolvidas, com a identificação das instituições, os dados compartilhados, o período de validade, a data do pedido e a finalidade. Em geral, essas informações ficam em uma área chamada "Open Finance", "Meus compartilhamentos" ou nome parecido, dentro do app.
6. Revogação a qualquer momento
Você pode cancelar o compartilhamento quando quiser. As instituições devem oferecer a revogação, no mínimo, pelo mesmo canal em que o consentimento foi dado, se ele ainda existir. Segundo o Open Finance Brasil, o cancelamento de compartilhamento de dados é imediato; no caso de iniciação de pagamentos, o prazo é de até um dia.
7. Sem custo para o cliente
Segundo as perguntas frequentes do Open Finance Brasil, não é cobrado nenhum valor do cliente pelo compartilhamento de dados. Desconfie de qualquer pedido de pagamento para "liberar", "ativar" ou "regularizar" o seu Open Finance.
Compartilhar dados não é o mesmo que movimentar dinheiro
Essa confusão gera muito medo desnecessário. O Open Finance tem dois tipos principais de autorização:
- Compartilhamento de dados: a instituição receptora passa a ler as informações que você escolheu, como saldos, transações e faturas. Com esse tipo de consentimento, ela não consegue fazer pagamentos nem transferências.
- Iniciação de pagamento: uma instituição inicia um pagamento a partir da sua conta em outra instituição. Isso exige um consentimento específico, com forma de pagamento, valor, recebedor e data, confirmado no ambiente da sua instituição. Para pagamentos recorrentes, o consentimento deve informar a periodicidade e o prazo.
Os apps de controle financeiro, como o Despezzas, usam o compartilhamento de dados para importar e organizar transações. Eles não precisam de autorização para movimentar o seu dinheiro para fazer isso.
Os riscos reais do Open Finance
Dizer que o sistema é seguro não significa que não existam riscos. Eles existem, mas estão concentrados em pontos específicos, e quase todos dependem de alguma ação da pessoa.
Golpes de engenharia social
É o risco mais comum. O golpista se passa por funcionário de banco, de uma central de segurança ou de um órgão público e convence a vítima a "confirmar", "atualizar" ou "proteger" o Open Finance. O objetivo real costuma ser obter senhas, códigos de verificação ou convencer a pessoa a autorizar um pagamento.
Sinais de alerta:
- ligação, SMS, e-mail ou mensagem de WhatsApp pedindo que você autorize um compartilhamento que você não iniciou;
- pedido de senha, token, código recebido por SMS ou foto do cartão;
- urgência ("sua conta será bloqueada hoje");
- links que levam a páginas parecidas com a do banco.
O Open Finance só é usado pelos canais digitais oficiais das instituições participantes. Ninguém precisa ligar para você para concluir um compartilhamento.
Autorizar a instituição errada ou dados demais
Se você aprova sem ler, pode acabar compartilhando mais informações do que o necessário ou por um prazo maior do que gostaria. Antes de confirmar, confira três itens: quem vai receber os dados, quais dados serão enviados e por quanto tempo.
Aplicativos que não usam o Open Finance
Alguns serviços pedem o usuário e a senha do banco para acessar a conta em seu nome. Isso não é Open Finance e não tem as mesmas garantias. Ao entregar a sua senha, você perde o controle sobre o que é feito com ela, e quem a tem em mãos consegue ver e fazer na conta tudo o que você faria.
Tratamento dos dados pela instituição que recebe
Depois de recebidos, os dados ficam sob a responsabilidade da instituição receptora, que precisa seguir a regulação do Open Finance e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018). Escolher instituições conhecidas, ler a política de privacidade e revogar compartilhamentos que você não usa mais reduz a exposição.
Celular desprotegido
Se alguém tem acesso ao seu celular desbloqueado, pode ver os dados de qualquer aplicativo, com ou sem Open Finance. Bloqueio de tela, biometria e atualizações do sistema continuam sendo a primeira linha de defesa.
Como reconhecer um pedido legítimo de compartilhamento
Antes de confirmar, faça esta checagem rápida:
- Foi você quem começou? Um compartilhamento legítimo começa quando você toma a iniciativa dentro de um aplicativo que escolheu usar.
- Você foi levado ao app do seu banco? A confirmação deve acontecer no ambiente da instituição que tem os dados, com o login de sempre.
- Ninguém pediu a sua senha fora do banco? Se o aplicativo receptor pediu a senha do banco, pare.
- A tela mostra quem recebe, quais dados e por quanto tempo? Essas informações são obrigatórias.
- A instituição é participante? Você pode conferir a lista de participantes nos canais do Banco Central e do Open Finance Brasil.
- Ninguém pediu dinheiro? O compartilhamento é gratuito.
Se algum item falhar, cancele e procure a instituição pelos canais oficiais, digitando o endereço ou abrindo o aplicativo por conta própria, e não pelo link recebido.
Como revogar o acesso no Open Finance
A revogação pode ser feita tanto na instituição que recebe os dados quanto na que os transmite. Os nomes dos menus variam, mas o caminho costuma ser parecido:
- Abra o aplicativo do banco ou do serviço que recebe os dados.
- Procure a área "Open Finance", "Compartilhamento de dados", "Meus compartilhamentos" ou "Gerenciar consentimentos". Em muitos apps, ela fica em configurações, perfil ou segurança.
- Selecione o compartilhamento que deseja encerrar.
- Confira a instituição e os dados envolvidos e toque na opção de encerrar ou revogar.
- Guarde o comprovante ou a tela de confirmação.
Segundo a regulamentação, a instituição transmissora não pode propor que você revogue um consentimento, exceto em caso de suspeita justificada de fraude. Ou seja, se o seu banco sugerir que você cancele um compartilhamento sem um motivo de segurança claro, você pode recusar.
Vale fazer uma revisão a cada seis meses: abra a área de compartilhamentos e encerre os que você não usa mais. Menos acessos ativos significa menos exposição.
O que fazer se você suspeitar de um compartilhamento indevido
- Revogue o consentimento imediatamente pelo app do seu banco.
- Troque senhas do banco e do e-mail e confira se a biometria está ativa.
- Entre em contato com a instituição pelos canais oficiais e registre o ocorrido. Anote o número de protocolo.
- Se houve prejuízo, registre também um boletim de ocorrência e procure a ouvidoria da instituição caso o atendimento inicial não resolva.
- Confira o Registrato, sistema gratuito do Banco Central que mostra contas, chaves Pix e operações de crédito em seu nome. O guia sobre o Registrato explica como consultar.
Open Finance vale a pena mesmo com os riscos?
Para a maioria das pessoas, sim, desde que usado com os cuidados acima. Os benefícios práticos incluem:
- Visão consolidada: ver contas e cartões de vários bancos em um só lugar, sem digitar transações.
- Menos esquecimentos: faturas, parcelas e assinaturas aparecem automaticamente.
- Ofertas de crédito com mais informação: outra instituição pode avaliar o seu histórico, o que pode ajudar a comparar propostas. Não há garantia de aprovação ou de taxa menor.
- Pagamentos mais simples: a iniciação de pagamentos permite pagar a partir de uma conta em outra instituição, sempre com confirmação. O Pix Automático é outro exemplo de autorização recorrente que você controla.
A comparação justa não é entre Open Finance e "nenhum risco". É entre o Open Finance e as alternativas: entregar a senha do banco a um app, mandar extratos por e-mail ou manter tudo em planilhas que podem se perder. Nesse cenário, um sistema com consentimento rastreável, autenticação no próprio banco e revogação simples tende a ser a opção mais segura.
Como o Open Finance funciona em um app de controle financeiro
Em um aplicativo de gestão financeira, o fluxo costuma ser este: você escolhe o banco que quer conectar, é redirecionado ao app desse banco, confirma o compartilhamento e volta. A partir daí, as transações da conta e do cartão passam a ser importadas e categorizadas automaticamente.
No Despezzas, as conexões de Open Finance estão disponíveis nos planos pagos; o Premium inclui até quatro conexões e custa R$ 169,90 por ano na cobrança anual (valor consultado em 20/10/2026 na página de planos). A lista de instituições conectáveis fica em bancos disponíveis. Se você está comparando aplicativos, o guia do melhor app de controle financeiro mostra os critérios que mais importam, incluindo a forma de conexão com os bancos.
Quer ver todas as suas contas em um só lugar, sem entregar a senha do banco? Comece grátis no Despezzas e conecte seus bancos pelo Open Finance quando quiser.
Perguntas frequentes
O Open Finance é seguro?
Sim, quando usado pelos canais oficiais. Ele é regulado pelo Banco Central e pelo CMN, depende do seu consentimento, a confirmação acontece no ambiente do seu banco e você pode revogar o compartilhamento quando quiser.
O app que recebe meus dados fica com a minha senha do banco?
Não. No Open Finance, você se autentica diretamente no seu banco. A instituição que recebe os dados não tem acesso à sua senha bancária. Se um app pedir a senha do banco dentro dele, ele não está usando o Open Finance.
Quem conecta minha conta pelo Open Finance pode tirar dinheiro dela?
Com um consentimento de compartilhamento de dados, não. Para iniciar um pagamento, é preciso um consentimento específico, com valor, recebedor e data, confirmado por você no ambiente da sua instituição.
Por quanto tempo o compartilhamento fica ativo?
Pelo prazo que aparece na tela de consentimento. Antes da Resolução Conjunta nº 7, de 2023, o limite era de 12 meses; hoje o prazo precisa ser compatível com a finalidade informada. Você pode revogar antes do fim do prazo.
Como cancelar o Open Finance?
Pelo aplicativo do banco ou da instituição que recebe os dados, na área de Open Finance ou de compartilhamentos. O cancelamento de compartilhamento de dados é imediato; na iniciação de pagamentos, leva até um dia.
O banco pode compartilhar meus dados sem eu pedir?
Não no âmbito do Open Finance. Só o cliente pode autorizar o compartilhamento dos próprios dados, e a autorização não pode ser presumida nem vir com a opção de aceite já marcada.
Recebi uma ligação pedindo para confirmar o Open Finance. O que faço?
Desligue. Compartilhamentos legítimos são iniciados por você, dentro dos aplicativos oficiais, e não por telefone. Se ficou em dúvida, abra o app do seu banco por conta própria e confira a área de compartilhamentos.
Pagar para usar o Open Finance é normal?
O compartilhamento de dados é gratuito para o cliente. Um aplicativo pode cobrar pelos próprios serviços, como um plano de controle financeiro, mas ninguém deve cobrar para "liberar" ou "ativar" o seu Open Finance.
Conteúdo educativo produzido pela Equipe Despezzas. Regras e funcionalidades podem mudar; confira sempre as informações atualizadas no Banco Central e nos canais oficiais das instituições.