Plano de aposentadoria do casal: como construir a dois
Confiar só no INSS para se aposentar é apostar contra a matemática. Em 2026, o teto do regime geral está em torno de R$ 8.157 — bem abaixo da renda da classe média no fim da carreira. Um bom plano de aposentadoria do casal combina três pilares: INSS, previdência complementar e patrimônio próprio. Quanto antes começar, menos doloroso é o esforço mensal.
Quanto vai precisar a dois
A regra clássica diz que, na aposentadoria, o casal precisa de 70-80% da renda atual para manter o padrão. Se hoje gastam R$ 12 mil/mês, vão precisar de aproximadamente R$ 9-10 mil/mês corrigidos por IPCA.
Para gerar R$ 10 mil/mês em renda passiva (rentabilidade real de 0,5% a.m. acima da inflação), o patrimônio acumulado precisa ser de cerca de R$ 2 milhões. Parece muito — mas começando aos 30 anos com R$ 1.500/mês investidos, é viável até os 60.
Os três pilares do plano
- INSS: contribuir o mínimo necessário (autônomo: 11% sobre salário mínimo) garante teto futuro; CLT já contribui automaticamente
- Previdência privada (PGBL/VGBL): aportes mensais com benefício fiscal (PGBL deduz até 12% da renda no IR para quem faz declaração completa)
- Patrimônio próprio: Tesouro IPCA+ longo, ações de dividendos, fundos imobiliários (FIIs) — geram renda mensal real
PGBL é melhor para quem faz declaração completa do IR; VGBL para declaração simplificada ou quem já atingiu o teto de 12%.
Idade entra na conta
Quanto mais tarde começa, mais agressivo precisa ser o aporte. Tabela de referência aproximada para casal que quer juntar R$ 2 milhões aos 60 anos (assumindo retorno real de 6% a.a.):
- Começando aos 25 anos: R$ 1.100/mês para o casal
- Começando aos 35 anos: R$ 2.200/mês
- Começando aos 45 anos: R$ 5.000/mês
- Começando aos 55 anos: R$ 18.000+/mês — praticamente inviável
A janela de 30 anos é o que torna o plano leve. Atrasar 10 anos dobra o aporte mensal.
Revisão periódica
A cada 2-3 anos, revisem juntos:
- Saúde do INSS (já contam contribuições suficientes para tempo mínimo?)
- Performance da previdência (taxa de administração acima de 1% a.a. costuma corroer demais)
- Patrimônio acumulado vs. trilha projetada
- Eventos de vida que mudam a equação (filho, divórcio, herança, mudança de país)
Como o Despezzas ajuda
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